terça-feira, 17 de outubro de 2017

Yes we can

Acordo às 7:25.
Às 8:00 saio para acompanhar os meus filhos à escola, a pé e/ou de bicicleta, conforme os dias.
Gasto nisto cerca de meia hora. Às 9:30 estou no meu trabalho em Lisboa, a 30 kms de distância, depois de utilizar 2 comboios e a bicicleta. Nos dias em que não vou levar os filhos à escola, chego às 9:00.
Levá-los a pé ou de bicicleta custa meia hora. É possível, sem carro, e trabalhando a 30km de distância. Mas claro, não é possível para mais ninguém, há sempre um mas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Proposta para a Avenida da República, Parede, em SET2013


Introdução

O troço da Avenida da República, na Parede, entre a Praceta António Sérgio e a Rua Dr. Câmara Pestana tem elevado volume de trânsito. Apresenta do seu lado esquerdo (sentido Parede  Carcavelos) um passeio contínuo mas com más condições de utilização. Não garante continuidade a partir do cruzamento com a Avenida Amadeu Duarte e, por estar do lado da rua junto do qual o trânsito circula, é um passeio desagradável e perigoso para a circulação pedonal. No lado direito da rua existe descontinuidade de passeio. A nova urbanização Rosa Maria dotou a rua de passeio de qualidade nessa zona. O restante troço, porém, tem deficiências ou o passeio não existe de todo. O meu pedido, que explico abaixo, vem no sentido de aproveitar o impulso dado por esta urbanização e criar um corredor pedonal com segurança e agradável, com largura e sem desníveis, entre o cruzamento com a Av Amadeu Duarte e a Rua Dr Câmara Pestana, nesta que é uma espinha dorsal da Parede, tanto em volume de trânsito como em circulação pedonal. A partir da Rua Dr Câmara Pestana, a Av da República tem um passeio recente que, apesar de ter sido construído estreito, garante segurança e qualidade de circulação daí em diante. Adicionalmente, o meu pedido prevê a reorganização e criação de melhor estacionamento neste troço da Avenida, assim como o início da ciclovia que a revisão do PDM em curso prevê.


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Local - enquadramento
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Troço da Avenida da República, na Parede, entre a Praceta António Sérgio e a Rua Dr. Câmara Pestana

Caracterização


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Características • Rua larga, com capacidade para mais de duas faixas de rodagem na maioria do traçado em causa • Rua de sentido único • Elevado fluxo de trânsito Problemas de circulação pedonal • Passeio esquerdo (sentido ParedeCarcavelos) estreito em diversos troços, inclinado e escorregadio, perigoso, reduzido por sebes constantemente mal aparadas em diversos pontos • Passeio esquerdo junto do trânsito que circular a velocidade elevada • Passeio direito com descontinuidades, inexistente numa parte, ocupado por automóveis estacionados, com desníveis de lancis


Passeio direito, problemas por troços
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Zona A – troço até Praceta António Sérgio • Passeio muito estreio, apesar da via permitir uma faixa de estacionamento automóvel deste lado do passeio Zona B – em frente do novo empreendimento Rosa Maria • Nesta zona o passeio é bom e o estacionamento está ordenado. Com o empreendimento, porém, o fim do passeio termina num lancil, que deve ser eliminado Zona C – desde o empreendimento Rosa Maria até à Praceta dos Plátanos • Nesta zona a rua alarga ainda mais, mas na prática não existe qualquer passeio, uma vez que os carros estacionam (como se pode ver acima). Os peões circulam em terra de ninguém, entre os carros estacionados e os carros em circulação rápida. Falta passadeira para atravessar a rua de acesso à Praceta dos Plátanos Zona D – desde a Praceta dos Plátanos à Rua Dr. Câmara Pestana • A rua continua larga, mas o passeio é desnecessariamente estreito. Os carros estacionam em espinha, ocupando o passeio

Detalhe – zona A
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Zona A – troço até Praceta António Sérgio • Passeio vem estreitando a partir da Urbanização Quinta de Santo António • No entanto a rua é larga o suficiente para que se alargue o passeio, mesmo mantendo o estacionamento


Detalhe – zona C

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Zona C – desde o empreendimento Rosa Maria até à Praceta dos Plátanos • Passeio em frente ao Rosa Maria está a terminar num desnível em lancil, em vez de rampa • A seguir, existe um espaço largo, com uma espécie de estacionamento, que os automóveis ocupam de qualquer maneira, não deixando qualquer passeio livre. Os peões têm que circular entre os carros que estejam estacionados e os veículos em movimento na rua • No fim deste troço, não existe passadeira para atravessar o acesso à Praceta dos Plátanos

Detalhe – zona C
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Zona C – desde o empreendimento Rosa Maria até à Praceta dos Plátanos • Detalhe, com paragem de autocarro, com um estacionamento que é ocupado pelos carros • Falta passadeira à frente

Detalhe – zona D

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Zona D – desde a Praceta dos Plátanos à Rua Dr. Câmara Pestana • Apesar da rua larguíssima, o passeio é estreio e ainda é ocupado pelos automóveis em espinha • Os contentes do lixo esperam o peão que atravessa em direcção a esse passeio


Detalhe– zona D


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Zona D – desde a Praceta dos Plátanos à Rua Dr. Câmara Pestana • Estacionamento longitudinal, recente, apesar da rua larga, que os automóveis não respeitam estacionando em espinha


Proposta – linhas gerais





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1. Redimensionar a via em todo este troço de modo que tenha a largura de 1,5 faixas de rodagem. Ie, que permita fluidez de trânsito em condições normais e que permita a passagem fácil a qualquer veículo mesmo que outro esteja parado na via por qualquer razão. 2. Fazer do lado direito um passeio digno, segruro e agradável (julgo que é perfeitamente possível que tenha 2 metros de largura em toda a sua extensão), sem qualquer lancil (ie, todos os desníveis devem ser em rampa suave) e com passadeira para atravessar o acesso à Praceta dos Plátanos 3. Dotar o passeio de pilaretes onde não exista estacionamento em espinha 4. Fazer estacionamento em todos os locais onde seja possível, de preferência perpendicular à via/em espinha 5. Implementar ciclovia de sentido único neste troço, de acordo com proposta constante na revisão do PDM em curso, documento Mobilidade e Acessibilidades, 01.04.02B

Proposta– zona A

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Zona A – troço até Praceta António Sérgio • Alargar passeio à custa da via, que ainda manterá a largura suficiente • Manter estacionamento longitudinal • Para já, não fazer ciclovia neste troço (fazê-la eliminaria o estacionamento) , uma vez que a velocidade de trânsito nesta zona permite a coexistência de veículos automóveis e bicicletas

Proposta– zona C

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Zona C – desde o empreendimento Rosa Maria até à Praceta dos Plátanos • Passeio deverá ser construído na zona mais à direita, encostado à sebe, dando sequência ao existente em frente do Rosa Maria • Plantar árvores no novo passeio • Deverá ser possível construir estacionamento perpendicular à via, ou pelo menos em espinha • Fazer ciclovia. Para isto, bastará marcar o pavimento e colocar alguma sinalização vertical • Fazer passadeira para atravessar acesso à Praceta dos Plátanos • Eliminar lancis, criando rampas suaves quando necessário


Proposta– zona D

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Zona D – desde a Praceta dos Plátanos à Rua Dr. Câmara Pestana • Retirar os contentores do ponto de atravessamento da rua • Alargar passeio se necessário • Plantar árvores • Formalizar o estacionamento perpendicular ou em espinha. Impedir ocupação de passeio pelos automóveis • Continuar a ciclovia até ao cruzamento com a Rua Dr Câmara Pestana. Esta rua e a Rua Dr Manuel de Arriaga, para as quais o PDM prevê também ciclovia, não necessitam tanto dela, coexistindo melhor o trânsito automóvel com as bicicletas. Ainda assim, seria um grande progresso tornar estas duas ruas de sentido único, e implementar ciclovia até à estação de Carcavelos, conforme previsto no PDM.

Anexo 1 – ciclovia proposta no PDM

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In PDM Cascais 2013, http://www.cm-cascais.pt/sites/default/files/anexos/gerais/01-04-02b_acessibilidades.pdf , Mobilidade e Acessibilidades, 01.04.02B

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

7-anos-7 para resolver passeio perigoso

Finalmente em 30SET2017 ficou resolvido um ponto de extremo perigo para os peões, no entroncamento da Rua Dr. José Joaquim de Almeida, Av. da República, e Estrada da Rebelva, em Carcavelos/Parede.

Foram preciso 7 anos de insistências, propostas e  reuniões para obter esta solução de ponte pedonal + passadeira, que havia sugerido já em 2011.
Uma boa solução, que só peca por (muito) demorada.

Antes:



Depois:




Mesmo depois da ponte feita, em DEZ16/JAN17, foram ainda precisos cerca de 9 meses para fazer a simples passadeira que tornou finalmente útil a primeira.

Palavras para quê, esta é a prioridade dada ao peão no concelho de Cascais.

Percurso pedonal seguro e confortável entre o Junqueiro e Praia da Parede - Pedido à Câmara Municipal de Cascais em 30JAN2017

Parede, 30JAN2017
Assunto: percurso pedonal seguro e confortável entre o Junqueiro e Praia da Parede

Ex.mos Senhores

Da zona do Junqueiro para a Praia da Parede existe uma passagem pedonal pouco conhecida. Faz a ligação entre a Rua Vasco da Gama, ainda do lado do Junqueiro, e a Rua António José de Almeida, já muito próxima da praia. A passagem em causa está assinalada abaixo:



Esta passagem serve uma zona bastante grande, tanto do lado do Junqueiro, como do outro lado da linha férrea, por via da passagem superior da Rua de Moçâmedes. Graças a esta passagem existe uma ligação pedonal rápida à praia:



Quem vem pela Rua de Luanda, encontra porém algumas dificuldades a partir do cruzamento com a Rua de Cabinda.



Se optar pelo lado esquerdo da rua, tem boas condições até ao ponto A.
Aí o passeio está sempre ocupado por automóveis e os peões têm que passar pelo espaço que os automobilistas entendem deixar desocupado.
  


Atravessa-se a passadeira, e mais à frente (B) novo passeio permanentemente ocupado também por automóveis. Por vezes é difícil aceder à passagem a que me refiro, mais à frente.



Optando-se pelo lado direito da rua, primeiro percorre-se um passeio de largura que não cumpre a lei (C), apesar de estar desocupado de carros por ter pilaretes.
Mais à frente, o passeio voltar a estar sempre ocupado ilegalmente por automóveis (D), muitas vezes obrigando a circular pela rua. Note-se que do lado contrário há estacionamento legal.


 
Chega-se então ao ponto E não é possível atravessar de forma segura para a dita passagem, pois não existe nenhuma passadeira.





Venho solicitar à CMC que crie pelo menos uma alternativa segura e confortável, a que os peões têm direito por lei, de modo que esta vasta área tenha um acesso rápido à Praia da Parede.
No caso do percurso pelo lado esquerdo da Rua de Luanda, não são preciso mais que uma mão cheia de pilaretes para impedir os automobilistas de ocuparem ilegalmente o passeio. Todas as outras condições existem já.
No caso do percurso do lado direito da Rua de Luanda serão necessários pilaretes para libertar os passeios e criar uma passadeira como abaixo, ou solução com o mesmo fim:



Não basta a CMC manifestar a intenção de promover a mobilidade por meios suaves, nomeadamente no PDM. É com pequenas intervenções como esta que se criam pequenos percursos pedonais seguros, confortáveis e rápidos, que depois se vão interligando uns aos outros. Depois, com alguma divulgação na zona, associado a uma fiscalização eficaz do estacionamento ilegal (note-se que alguns destes carros a ocupar passeios se devem à taxação do estacionamento junto da praia), algumas pessoas trocarão a deslocação de carro por deslocação a pé, cumprindo-se o objectivo.


A intervenção do lado esquerdo (ie, pilaretes) é uma obra mínima. Faltam 6 meses para o Verão, desafio a CMC a aceitar o desafio de criar um percurso pedonal aceitável até lá.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A Nova School of Business and Economics em Carcavelos


Tenho observado as críticas acérrimas contra a localização da faculdade da Universidade Nova em Carcavelos.
As críticas podem agrupar-se em 3 categorias:

1) o trânsito
2)o  aumento de preço das casas
3) o ridículo de afetar um terreno de localização excecional, com vista para o mar, a uma escola


Sou da opinião contrária. Penso que esta faculdade é uma enorme mais valia e oportunidade para a zona em que se insere. Trará ao concelho e freguesia, que envelhecem, gente nova; contribuirá para aumentar a fasquia de nível educacional e cultural, portanto o nível de exigência ad população; aumentará e muito a economia local, ao mesmo tempo que criará emprego, por esta via também esbatendo um pouco o caracter dormitório de todo o concelho.

Qual é a cidade que diz não a ter uma faculdade? Quantas e quantas cidades de Portugal não lutaram durante anos (décadas!) para ter uma universidade, ou um instituto politécnico, por essa via criando até uma dispersão porventura excessiva do ensino superior no país?


Quanto às críticas em concreto:

1) O trânsito já hoje é excessivo e por exclusiva culpa dos habitantes locais. Devem eles começar por ponderar a moderação do uso do carro.
Mas, como todos sabemos, há universidade no centro de cidades já consolidadas, e essas cidades não querem ver-se livres delas.
Se queremos que a faculdade não gere trânsito, é preciso desenhar com esse objetivo. Comecemos por recordar que existem 2 estações da CP a curta distância. A de Carcavelos está a cerca de 1,6km, distância que se faz perfeitamente a pé, ainda mais dada a população em causa. Já para não falar da facilidade de a fazer de bicicleta, havendo infraestrutura adequada, até porque existe um sistema de bicicletas partilhadas no concelho.
Mas a melhor forma de garantir que não há trânsito adicional é não existir estacionamento. Se a escola possuir muito poucos lugares de estacionamento, e todas as zonas circundantes tiverem estacionamento pago, com exceção dos moradores, não haverá trânsito. Mas não criar estacionamento e taxá-lo é um pouco fora da mentalidade reinante, infelizmente.


2) Sim, deverá haver aumento do preço das casas por causa do aumento da procura. Mas também deverá haver aumento significativo da atividade económica na zona e aumento da oferta de emprego. Não há bela sem senão, dificilmente se terá apenas aspetos positivos em algo na vida.


3) Imaginemos uma empresa que ocupa um prédio alto, com uma boa vista nos pisos superiores. Se é uma empresa portuguesa, sabemos que esses pisos serão da administração. A vista será pouco partilhada, portanto. Se se tratar de uma empresa nórdica, o melhor piso terá o refeitório, que aproveita a todos os empregados.
É assim que vejo a atribuição daquele terreno a uma escola. Ao longo da sua existência, serão muito milhares os beneficiados pela qualidade do local, ao invés dos poucos adquirentes de uma casa ali, como acabam por ser todos os terrenos bons de Cascais. Temos ainda a opção hotel, mas não me parece que uma escola seja menos digna de ter aquele local.
Colocar ali um escola, ainda para mais superior, é dignificar a educação e a cultura. A localização é ainda um trunfo fortíssimo para potenciar a captura de estudantes estrangeiros, algo que todas as universidades do mundo fazem e que esta não esconde que é uma sua estratégia. E não me parece mal, antes pelo contrário. Só enriquece a nossa mentalidade tantas vezes fechada.



A Escola e Câmara deviam sim aproveitar a oportunidade para mudar o paradigma de deslocação e de espaço público, como sugeri em 2015 a ambos os presidentes (http://diaummais.blogspot.pt/2015/06/mobilidade-saudavel-para-carcavelos-uma.html). Infelizmente duvido que o faça, e teremos mais uma infraestrutura cercada de vias rápidas, à qual só se chega de forma confortável e segura .... de carro, como havia de ser? E lá voltamos ao triste tema do trânsito.

Nota: quanto ao processo e custo futuro de aquisição do terreno não me pronuncio por não ter informação sobre o mesmo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

De comboio + bicicleta na linha de Cascais




É mesmo possível chegar de bicicleta a uma estação da linha de Cascais, apanhar o comboio e voltar a circular de bicicleta na baixa de Lisboa ou Cascais, por exemplo, com crianças. Não é mito.
Claro que não é para toda a gente. É preciso estar muito à vontade nas ruas com muito trânsito, por vezes com excesso de velocidade, e com muito pouca consideração pelo tráfego ciclista. A esmagadora maioria das pessoas nem sozinhas se atrevem, muito menos o fariam com crianças pequenas. Há riscos.

A possibilidade de fazer um tal percurso beneficia da facilidade criada pela CP em toda a sua rede urbana, que deve ser elogiada.
Já à Câmara Municipal de Cascais não há absolutamente nada a agradecer neste âmbito. Após anos e anos de falsos arranques (se é que o chegaram a ser) e vagas esperanças, não há uma única estação da CP que tenha alguma forma facilitada de se lhe chegar de bicicleta (julgo que no Estoril, à volta do Casino há qualquer coisa, mas não sei se serve para alguma coisa — da ciclovia do Paredão nem vale a pena falar, pois só serve para deslocações entre estações).

E era fácil fazer pouco que poderia acrescentar muito. Veja-se uma proposta há já muitos anos apresentada à CMC, e cujos técnicos até disseram coincidir em boa parte com os seus projetos ( projetos? Boas intenções?). Passados 5 ou 6 anos, nem um projeto concreto (ie, com plano e data a curto prazo) é conhecido.
Com aquela pequena rede já se davam condições a alguns milhares de pessoas para chegarem de um raio considerável a 2 estações CP, que facilmente também se prolongava até São Pedro. E como é evidente, aquele plano é apenas o início feito por um amador.




A criação de acessos cicláveis às estações da CP desta linha poderia e deveria ser o início de uma rede mais alargada. Evitaria parte das deslocações de carro para a estação. Poderia trazer para o comboio mais passageiros que hoje optam pelo automóvel. Ao mesmo tempo, criaria uma dinâmica de segurança, permitida pela infraestrutura e pela quantidade de ciclistas. Além das deslocações para as estações, seriam também servidas as deslocações para as escolas, jardins, praias, comércios e serviços das áreas das estações.

É preciso começar e este poderia ser o embrião de uma rede de mobilidade utilitária em bicicleta. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Uma ano de casa-trabalho: de carro, mota ou transportes+bicicleta



A minha deslocação diária casa-trabalho é de 60Kms.
Considerando 250 dias/ano, são 15600 kms/ano.


Usando carro

Com um carro de consumo 5,3l / 100Km de gasóleo (que é baixo para as condições de trânsito em causa), são cerca de 1075€.
Juntando pelo menos uma portagem/dia, 150€.
Somando pelo menos 1/2 revisão, alguma manutenção ao carro (pneus, ...ie, custos diretamente associados a circular 15000km/ano): 200€

Custos variáveis são 1425€

Seguro: pelo menos 150€
IUC: pelo menos 100€

Total de carro, sem contar o custo do próprio carro (desvalorização), multas, estacionamentos, ...: 1675€.
(Note-se que a desvalorização de um carro pode ser outro tanto: um carro novo de 30.000€ após 10 anos provavelmente já não vale 10.000€. Isto representa 2000€/ano)



Usando mota (scooter 250cc)

Consumo de 3,1l/100km, cerca de 725€.
Juntando pelo menos uma portagem/dia, 150€.
Somando pelo menos 1 revisão, alguma manutenção pneus, ...ie, custos diretamente associados a circular 15000km/ano): 300€

Custos variáveis são 1175€

Seguro: pelo menos 100€
Total de mota sem contar o custo da mota (desvalorização), multas, estacionamentos, ...: 1275€.



Usando o comboio + bicicleta


Passe mensal: cerca de 42€, total de 504€
Bicicleta: com 250€ tem-se uma excelente bicicleta. Admitamos que se consome 1/2 bicicleta por ano, o que é um excesso: 125€

Total de bicicleta + comboio: 629€


Comparação

Ou seja, a opção bicicleta + comboio é cerca de 44% dos custos variáveis da opção carro e 53% da opção mota (apenas contando os custos variáveis; seguro, IUC e desvalorização, considerando que se mantém o carro parado em casa, não estão incluídos nesta percentagem).


Se no caso da mota a deslocação é um pouco mais rápida (cerca de 15min por viagem), por outro lado é muito mais perigosa e cansativa.
Já a opção de carro é mais segura (que a mota) e descansada, mas normalmente mais demorada e sem nenhuma garantia de duração.

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Acrescente-se a esta argumentação evitar queimar cerca de 830 litros de gasóleo ou 480 litros de gasolina, fora todas as outras fontes de poluição - pneus, travões, óleos, ruído,...

Acrescente-se ainda o tempo libertado para outras atividades durante a viagem e o exercício físico adicional, que não é de somenos num tempo em que as pessoas gastam tempo nos ginásios.


Se ainda se evitar de todo ter o carro ou a mota, a poupança dispara - e quando se precisar realmente de carro, pode-se usar um táxi, usar um car-sharing ou alugar um carro por alguns dias.

Façam vocês as contas, como dizia o outro.






terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O que podemos aprender com os franceses de Paris


Trânsito no centro da cidade

O trânsito de Paris é infernal. Muitas avenidas são de sentido único, muito largas e com muitas vias de trânsito. Todo o centro está crivado destas verdadeira vias rápidas. Os condutores têm sangue quente e não param nas passadeiras se estas não tiverem semáforos. Na hora de ponta é o caos.
Existem planos para alterar estes estado de coisas, retirando carros do centro e devolvendo espaço ao peão, mas, para já, não temos muito a aprender com os parisienses.
Vi também alguns exemplos de zonas de coexistência, mas ainda em pouca quantidade.

Pedonalidade

Mas apesar do muito espaço ocupado pelo automóvel, os pesseios são generosos, planos, sem degraus, e sem carros estacionados. Aqui já temos muito para copiar aos franceses de Paris.

Mobilidade em bicicleta

Este é ponto que me interessa mais. Aqui sim, temos muitíssimo a aprender e a imitar.
Apesar do imenso trânsito, das larguíssimas via dedicadas ao automóvel e dos transportes de grande qualidade e quantidade, Paris está muito bem preparada para se circular de bicicleta. E vêem-se milhares de pessoas a fazê-lo.

O mapa do Google mostra estas ciclovias ou via cicláveis, mas no terreno há muitas mais, embora em muitos casos de ruas estreitas e com pouco trânsito sejam apenas marcações para dar estatuto à bicicleta. Mas estas marcações são fundamentais para colocar a bicicleta ao nível dos outros utilizadores da via.


A paisagem já é de uma cidade que utiliza muito a bicicleta: vêem-se estacionadas por todo o lado, de noite e de dia. E não se pense que é apenas porque "é uma cidade plana" (mas com clima desfavorável face a Portugal). Na parte mais acidentada da cidade, Montmartre, há igualmente muitas bicicletas. Esta imagem é de lá (estacionamento noturno).




No interior da Periphérique todas as grandes avenidas têm espaço para bicicletas.
Seja em vias dedicadas, 

 

seja em partilha com os BUS, algo mutíssimo frequente.


De todas as vezes que utilizei as faixas BUS nunca senti animosidade por parte de taxistas ou autocarros. Já se habituaram à partilha.

Praticamente todas as ruas, estreitas ou largas,  têm percursos reservados ou assinalados para bicicletas e por sistema estas podem circular em sentidos proibidos. Também nestes sentidos proibidos o percurso das bicicletas está claramente assinalado.


  



Também utilizam com frequência caixas para prioritizar as bicicletas nos semáforos, e os automobilistas respeitam-nas.



Nos cruzamentos assinalam claramente o percurso da bicicleta, incluindo para mudar de via em largas avenidas.

  



Sistema de bicicletas partilhadas

E depois há o Velib, que é uma maravilha.



Utilizei o sistema durante um dia, por €1,70, com viagens em número ilimitado desde que cada uma inferior a 1/2 hora.

As estações de estacionamento estão bem distribuídos e com densidade suficiente. Ajuda muito utilizar a APP, que permite localizar as estações, o número de bicicletas disponíveis e pontos de estacionamento livres em cada uma.
Para um estrangeiro em roaming utilizar a APP sai caro, e ajudaria se cada posto tivesse informação de localização e estado dos adjacentes.

Verifiquei com alguma frequência que em vários postos mais periféricos não havia nenhuma bicicleta, e noutros mais centrais não havia pontos de estacionamento livres. Provavelmente deveria haver funcionários a deslocar bicicletas de modo a equilibrar isto. Uma vez mais, a APP ajuda nesta situação, pois as estações nunca estão muito distantes umas das outras. Há estações que dão bónus de tempo se as bicicletas lá forem devolvidas, provavelmente para contrariar este fenómeno.

Não precisei dos transportes públicos com exceção da viagem para o aeroporto. Como eu, vi imensas pessoas a utilizar o sistema, para além das que usavam bicicletas próprias. A utilização é generalizada, em género e idade.

Percorri cerca de 28Km em cerca de 10 troços. Todos os pontos interessantes da cidade são facilmente alcancáveis com estas bicicletas.
Em 2 casos as bicicletas não estavam em condições e não tive tempo para perceber se seria fácil reportar esses problemas. 
É necessário um cartão bancário (seja para a adesão via internet, seja para adesão em qualquer das estações), o que em casos pontuais pode ser um bloqueio à utilização. É porém a garantia do sistema para casos de não devolução da bicicleta.

Em geral, porém o sistema é excelente e as bicicletas estão em bom estado e cumprem a sua função. Não senti necessidade de bicicletas elétricas, mas a cidade é mais plana que Lisboa.

domingo, 16 de outubro de 2016

Poluição automóvel

Qual será o efeito do constante gás de escape, nomeadamente de gasóleo, para quem se desloca a pé ou de bicicleta no meio do omnipresente trânsito automóvel? Desconfio que seja muito pesado para a saúde, pelo menos muito desagradável, é.
Mas claro que é um impacto de somenos importância quando comparado ao inalienável direito de circular de carro sempre e em toda a parte, por todo e qualquer motivo, grandes ou ridículas distâncias. Direitos são direitos, e este deve ser daqueles que está antes do direito de porte de arma na constituição americana.

domingo, 11 de setembro de 2016

A injusta repartição do espaço público em Cascais

Esta é a repartição do espaço que a Câmara de Cascais nos oferece no centro da Parede. Um passeio que não cumpre critérios de conforto, segurança e provavelmente legais do lado direito, estacionamento selvagem do lado esquerdo e uma vasta faixa de rodagem de sentido único, que incentiva a velocidade de circulação.


Esta é uma das ruas de acesso ao centro comercial e de serviços da Parede, e à estação de comboios. Importava criar aqui boas condições de circulação pedonal e reduzir a quantidade e velocidade do trânsito automóvel, para dar fôlego a um centro que perde vitalidade. A realidade é o contrário.

sábado, 11 de junho de 2016

A Nova School of Business and Economics em Carcavelos será mais uma ilha autmóvel?

Com o início da construção da Nova School of Business and Economics anunciado para breve, perguntei à CMC se será possível chegar à escola de bicicleta, como havia apelado há cerca de um ano.



"Ex.mos Sr. Presidente e Sr. Chefe de Gabinete do Presidente


Li que a construção da faculdade NSBE será iniciada em breve. Suponho que no âmbito da sua construção também estejam incluídas as chamadas acessibilidades.
Pergunto por isso que eco teve a minha exposição feita há um ano atrás.
Em concreto, gostaria de saber se vai ser possível a todos aqueles que quiserem, independentemente da sua idade, deslocarem-se à NBSE de bicicleta, a partir dos pontos principais da sua zona de implementação (incluindo obviamente a estação da CP), seja por vias próprias, seja por vias onde a coexistência com o trânsito automóvel é garantida por meio de medidas sobejamente conhecidas pelos desenhadores urbanos. Ou se pelo contrário será perdida a oportunidade, e a NBSE se vai constituir como mais um polo de atração e geração de trânsito automóvel, a juntar à atual realidade do concelho."

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Elogio da CP

Não foi ainda há muitos anos que transportar uma bicicleta na linha de Cascais custava uns 5€, quando o passageiro pagava talvez 1€.
Foi ainda há menos tempo que um vigilante me avisou que um "senhor importante da CP, que mora aqui", não queria a minha bicicleta estacionada no local onde a deixava durante o dia quando apanhava o comboio, ainda não havia estacionamentos junto das estações.

Por isso, a evolução da CP Grande Lisboa no apoio às deslocações de bicicleta é notável e digna de elogio, com uma política largamente à frente de muitas outras instituições, como as Câmaras de Cascais ou Oeiras, para referir entidades da mesma região.
Hoje é possível transportar a bicicleta, de forma confortável e gratuita, em todos os comboios urbanos da região de Lisboa. Apenas os comboios da linha de Cascais não têm zonas especialmente desenhadas para tal, devido à antiguidade dos comboios, mas podem igualmente transportar-se neles as bicicletas. Não duvido que as nova composições, que hão-de surgir quando a linha for finalmente modernizada, serão devidamente preparadas para promover as deslocaçõs em bicicleta.

Não tenho reservas em dizer que se tiver que escolher a instituição que na grande Lisboa mais fez para promover a utilização da bicicleta, essa instituição é a CP.